Hoje é Dia Nacional do Café. E a gente precisa falar sobre isso.

Precisamos falar sobre café. Um fruto mágico tão versátil que se transformou nos dias de hoje a bebida mais consumida no mundo, excluindo a água, é claro. Mas o que pouca gente sabe, ou se esquece, é que a maior parte do café consumido no mundo está plantado aqui em terras brasileiras. Para se ter noção, o Brasil produz anualmente, em média, 45 milhões de sacas. Em segundo lugar vem o Vietnã com 27 milhões de sacas.

Na cadeia, são mais 8 milhões de empregos diretos e indiretos em mais de 287 mil propriedades. O café é o quinto produto brasileiro mais exportado para o exterior. Em termos quantitativos, estamos bem. Mas em termos de branding, nosso café anda meio vira lata na frente de países com produção muito menor como Colômbia, Indonésia,  e Panamá. Mas será que nosso café é mesmo vira-lata?

Bem, para quem não sabe, o café é um fruto de variedades, assim como a uva. Você tem duas famílias: o coffea arabica e o coffea robusta. O robusta, produzido em sua maioria em Rondônia, é um café de menor valor comercial, sem tantas propriedades sensoriais, e que serve para formar blend com o arabica no café comercial que encontramos no supermercado. Já o arabica, está para o café como a vitis vinifera está para o vinho. Temos diversas variedades: Catuaí, Acaiá, Mundo Novo, Caturra, Maragogipe e Bourbon Amarelo. Este último, conhecido por muitos baristas, como o café com mais doçura natural. E todas estas sendo produzidas aqui no Brasil. Mas Mateus, café tem tudo o mesmo gosto! E eu digo: Tem não.

Isso porque depois de um cuidado absurdo do produtor, no plantio, na poda, no manejo, na colheita, na separação de casca e grão, na secagem, às vezes na fermentação, vem um processo relativamente novo e mágico no mundo do café: a torra por perfil. O café é um fruto. Logo, ele tem frutose. A ideia da torra por perfil é caramelizar o açúcar natural do fruto, tornando o café uma bebida naturalmente doce, muitas vezes dispensando ou reduzindo o uso do açúcar na bebida. Quando fiz o curso de Barista Jr no Coffee Lab, a placa era bem clara: caminho sem volta. E é o que acontece quando uma boa xícara de café chega até nós.

Este foi um brief compacto sobre este novo mundo do café que se abre e se desenvolve de forma veloz dentro de nosso próprio território. E se você chegou até aqui, é brasileiro, você tem a responsabilidade de fuçar mais, ir atrás de grandes xícaras de café, e se tornar um verdadeiro difusor do café de qualidade produzido aqui por nossos compatriotas. E de gole em gole, o nosso café de qualidade vai ganhar o mundo.

Aqui na Tape, nós bebemos o blend Supremo do Café Manaus. Uma bebida equilibrada, torrada na medida e cheia de sabor.
 

Mateus Esteves-Ribeiro é diretor de criação da Tape, Business Designer formado pela Domus Academy, Chef de Cozinha formado pelo Senac Rio e Barista Jr. formado no Coffee Lab